Prof. Francisco Artur Pinheiro Alves
Este início de semana tive uma alegria muito grande, ao saber que duas jovens da nossa comunidade foram aprovadas no vestibular da FECLESC, para o Curso de Letras. São elas, Carol e Ana Luíza, filhas do Casal Francisco (já falecido) e Vange (Joana Evangelista). São pessoas bem simples, a quarta geração de família eu conheço deste a primeira. Tudo começou com a chegada, ao local, do Sr. João Alfredo Fama, no final da década de 1950, vindo do sertão. Ele era viúvo e trazia três filhos, Maria Luiza, Assis e um terceiro que não lembro o nome, mas era uma criança especial.
Sr. Alfredo foi a pessoa mais simples e mais humilde conheci na minha infância. Tratava bem a todos, homens, mulheres e crianças, sempre com o mesmo respeito. Eu tenho dito, que se há uma pessoa, que eu conheci, que está no Céu, é sr. Alfredo. Pode ser canonizado por qualquer igreja, que não vai errar, tenho convicção de que ele está no Paraíso, como prometeu Jesus, ao bom ladrão.
A Vange é filha de Maria Luiza, de quem sou compadre, eu e minha mãe, Lourdenise, somos padrinhos de sua filha mais nova, Joana Darc. A Vange, “puxou” seu avô, por ser uma pessoa, muito simples e muito boa, como diz Padre Zezinho, na oração da Família, é um poço de ternura. O Francisco, pai das meninas, também era uma pessoa muito boa, só fazia mal a ele mesmo, por gostar de uma pinga.
Maria Luiza e Francisco ajudaram a nossa família cuidando de meu pai ( Raimundo Alves), que mesmo idoso, não passava todo tempo em Fortaleza, vinha sempre para a Carqueija e minha mãe confiava-o aos cuidados destes dois. Meu pai já com os primeiros sintomas de Alzheimer, perdia as coisas e dizia que tinha sido roubado, Francisco, pacientemente, procurava e trazia pra ele. Francisco ficou conhecido na comunidade por ajudar os enfermos. A última foi a Cícera esposa do Manoel Cândido, onde o Francisco sempre esteve presente, dormindo com os dois idosos na casa deles. A Cícera faleceu há alguns anos. Francisco também faleceu, dormindo.
Mas voltando à aprovação das meninas, a minha alegria, foi dupla, primeiro por ver mais duas jovens da comunidade aprovadas, ano passado a Géssica, da família Trajano, também passou na FECLESC, para Pedagogia. A Géssica mora ao lado da Carol e da Ana Luiza. A segunda alegria foi por ser no Curso de Letras, que tive a honra de ter sido o diretor que o implantou, no período de minha gestão (1992-1996).
Tão logo eu soube desta aprovação, e que as aulas já se iniciaram, liguei para elas e passei na casa delas para parabenizá-las. Também tive uma participação na Rádio Lins FM de Baturité e relatei este fato. A locutora Maria Lins e seu colega Raimundo Araújo, este meu ex-aluno de História da FECLESC, também parabenizaram as duas.
De imediato, coloquei a Biblioteca Profa. Lourdenise Pinheiro Alves, à disposição das duas. Lá temos coleções de escritores brasileiros, que certamente elas estudarão, como é o caso de Augusto dos Anjos e outros. Também comuniquei ao meu irmão Hélder Pinheiro, prof. Da UFCG, muito conhecido no meio dos professores e estudantes de Letras, por sua atuação como especialista em Literatura Brasileira.
Como fiz com a Géssica, vou levar para elas, meu livro O Processo de Interiorização da UECE no Sertão Central, onde conto parte da História da FECLESC e particularmente a criação do Curso de Letras.
Nos últimos dois anos, tenho me dedicado a ministrar aulões de História do Ceará, de forma voluntária, nas escolas de Maranguape e no ano passado na Escola Ubiratan Aguiar em Capistrano, para alunos que vão fazer o vestibular da UECE.. Soube que passaram mais de 10 alunos, só na FECLESC. Me alegram muito estas aprovações, pois como professor e diretor da FECLESC, sempre acompanhei este processo da aprovação dos alunos dos municípios próximos a Quixadá. Constato que o número de aprovações atuais é bem maior, que naquela época, devido ao ensino ser de melhor qualidade e com professores ministrando aulas na sua própria área. Mas isso é matéria para outro artigo.
Encerro, reiterando os parabéns a Carol, a Ana Luiza, Géssica, a suas famílias, a nossa querida Carqueija dos Alves e sua juventude e a todos os jovens de Capistrano, que estão ingressando na universidade neste ano de 2022. Vão em frente!
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